Janja segue como obstáculo para Lula se reaproximar de pastores evangélicos

Passados quase 15 meses da eleição de 2022, a primeira-dama Janja da Silva segue como o principal obstáculo para Lula se reaproximar de lideranças evangélicas de direita.

Defendem a reaproximação com os evangélicos, por exemplo, os ministros Paulo Pimenta, Jorge Messias e Alexandre Padilha, e petistas influentes como Edinho Silva e José Dirceu.

Janja segue repetindo a argumentação que conseguiu fazer prevalecer na campanha de 2022, de que Lula e o governo saem perdendo se relacionando com pastores conservadores e que eles nunca serão aliados confiáveis.

O mal-estar entre governos do PT e pastores evangélicos remonta a 2012. Naquele ano, o então ministro da Secretaria Geral Gilberto Carvalho, durante o Fórum Social Mundial 2012, realizado em Porto Alegre, afirmou ser "preciso fazer uma disputa ideológica com os líderes evangélicos pelos setores emergentes”.

O ministro disse ainda que, depois de “reduzir a oposição a pó”, o próximo passo do governo seria enfrentar os “pastores fundamentalistas”.

A ideia de Carvalho seria criar uma mídia estatal para a classe C e assim poder controlar a ideologia da população emergente. Tal mídia seria para disputar o público com os religiosos evangélicos já que eles conseguem controlar a visão dessa população referente aos projetos mais criticados do PT como descriminação do aborto, legalização das drogas, união civil de homossexuais e o projeto anti-homofobia que seria distribuído nas escolas públicas se a Bancada Evangélica não tivesse se posicionado contra.

“Aí necessidade importantíssima de uma disputa ideológica, de uma disputa de projeto frente a esse novo público que nos sabemos é um público homogenizado por setores conservadores. Lembro aqui, sem nenhum preconceito, o papel da hegemonia das igrejas evangélicas, das seitas pentecostais, que são a grande presença para o público que está emergindo”, disse na época Gilberto Carvalho.


Jason Lagos